Trabalhadores defendem que fim de fusão Galp-Moeve protege soberania energética nacional
O negócio de fusão entre a Galp e a Moeve (antiga Cepsa) nas áreas de refinação e comercialização de combustíveis foi oficialmente cancelado por falta de acordo comercial, anunciaram as empresas esta segunda-feira. A decisão motivou uma reação imediata da Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal, que considerou o desfecho positivo para Portugal, defendendo ainda a nacionalização da petrolífera nacional.
Foto: Galp
Em comunicado enviado ao mercado na manhã de segunda-feira, a Galp explicou que as negociações aprofundadas com os acionistas da Moeve — a Mubadala Investment Company e o grupo Carlyle —, iniciadas após um acordo não vinculativo assinado a 8 de janeiro, terminaram sem que as partes chegassem a um consenso.
Paula Amorim, presidente do conselho de administração da Galp, lamentou o desfecho, sublinhando que a operação pretendia criar um grande operador europeu no setor do downstream.
Contudo, as empresas "não conseguiram alcançar o alinhamento comercial necessário para estabelecer uma parceria duradoura e geradora de valor a longo prazo".
Apesar do recuo, a administração da petrolífera portuguesa assegurou que o fim do processo não terá impacto nas operações correntes, mantendo-se convicta no potencial de valorização autónoma do seu portefólio e aberta a futuras oportunidades de consolidação setorial.
Em forte contraste com a perspetiva da administração, a Comissão de Trabalhadores da Petrogal emitiu uma nota sob o título "Caiu o negócio, ganhou o país", na qual valoriza o cancelamento do processo.
Segundo a estrutura representativa, a fusão pretendia "partir a empresa", ao entregar a gestão da refinaria de Sines a uma sociedade sediada em Espanha e controlada por fundos estrangeiros, dividindo simultaneamente a rede de retalho com a concorrente espanhola.
Com o recuo no negócio, os trabalhadores defendem que a Galp preserva a sua estrutura integrada — da refinação à distribuição — e salvaguarda uma "peça central da soberania energética do país".
A comissão de trabalhadores alertou, no entanto, que a rutura nas negociações se deveu estritamente a divergências sobre o retorno financeiro para os acionistas e não à defesa do interesse nacional.
Face a este cenário, a organização sindical voltou a reclamar a reversão da Galp para a esfera pública, argumentando que, enquanto a empresa permanecer privada, o seu futuro será decidido em função dos interesses privados e não de Portugal.
O comunicado conclui com um apelo para que a riqueza gerada pela atividade petrolífera seja reinvestida na modernização interna e na melhoria das condições salariais e laborais dos trabalhadores, em detrimento da remuneração exclusiva dos acionistas.
