Porto de Sines retira licença ao Clube Náutico por falta de atividade desportiva
A Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) anunciou que não vai dar continuidade à licença de ocupação atribuída ao Clube Náutico de Sines. A decisão surge após a entidade constatar que o clube não tem cumprido as finalidades previstas na licença na última década, falhando na promoção do desporto náutico sustentável e na aproximação da comunidade jovem ao mar.
Em comunicado, a APS garante que o objetivo é "corrigir a situação atual" e impulsionar modalidades como a vela, o remo e a pagaiada, em articulação com o Município.
A autoridade portuária sublinha que os desportos náuticos sustentáveis são "atividades compatíveis com a atividade portuária" e que existe "todo o interesse" em que estas modalidades voltem a ter uma "presença regular na Baía de Sines".
Para a APS, estas iniciativas vão muito além do lazer, representando "a melhor forma de atrair os mais jovens para o mar e garantir o futuro das profissões marítimas".Para viabilizar este projeto, a APS tem vindo a conceder, ao longo dos anos, um apoio contínuo ao Clube Náutico de Sines.
Este investimento traduziu-se na "atribuição gratuita de cerca de 7.750 m² de área terrestre e 5.660 m² de área marítima", destinadas ao ensino da náutica de recreio e à instalação da sede social.
Adicionalmente, foi permitida a "exploração, por terceiros e aberto ao público, do Bar do Clube" e foram concedidas "bonificações nos consumos de água e energia elétrica", ao abrigo de um acordo que cessou em novembro de 2025.
A administração portuária defende que, face à isenção de taxas de ocupação e às receitas geradas pelo bar e pelo pequeno Porto de Recreio, "o Clube Náutico de Sines teria boas condições para desenvolver as atividades previstas". No entanto, a avaliação da última década aponta para um cenário de estagnação.
Segundo a APS, a atividade promovida "não cumpre com o definido, não justificando, desta forma, a manutenção da utilização das áreas do domínio público que lhe estão atribuídas".
A entidade aponta ainda uma falta de capacidade crónica para "promover atividades e eventos que aproveitem as condições existentes em Sines".Perante o que considera ser um "dever público", a APS optou por revogar a licença, mas assegura que este não é o fim da náutica na região.
A administração portuária declara-se totalmente disponível para "apoiar, em articulação com o Município, quem demonstre capacidade e desenvolva um projeto credível" capaz de revitalizar a Baía de Sines.
