“Neste momento, estamos acima dos 80 milhões de euros de prejuízos globais” em várias infraestruturas municipais e nacionais e também no setor agrícola, explica o autarca.

Segundo Hélder Guerreiro, o montante global foi apurado por uma Equipa de Missão, criada recentemente, em parceria com as juntas de freguesia, o setor privado e outros agentes envolvidos.

Além do setor agrícola, “que reportou 30 milhões” de euros de danos, o autarca precisa que foram também afetadas várias “estruturas municipais”, como “estradas, pavilhões, infraestruturas ribeirinhas associadas ao rio [Mira] e dos portinhos de pesca” do concelho, num montante de “35 milhões de euros”.

Também “a rede rodoviária nacional” que atravessa o concelho terá sofrido “prejuízos muito próximos dos 10 milhões de euros”, estima o autarca de Odemira, concelho onde o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil esteve ativado entre os dias 4 e 20 de fevereiro.

O autarca defende ainda uma avaliação do “canal condutor geral”, que faz a ligação entre a albufeira de Santa Clara e as estações de tratamento de água (ETA), que também sofreu “danos muito consideráveis”, tendo ficado obstruído “durante mais de uma semana”.

“Ainda assim não se conhece a dimensão dos danos” nesta infraestrutura, “que é absolutamente crítica para 30 mil pessoas [e] para uma atividade produtiva [agrícola] que gera mais de 300 milhões de euros de exportações por ano”, alerta.

Por isso, Hélder Guerreiro diz não compreender o motivo pelo qual o concelho de Odemira, que contabiliza “perto de 20” pessoas deslocadas, e “duas definitivamente desalojadas”, ainda não está incluído na lista de municípios em situação de calamidade.

“Se Odemira não passou por uma calamidade, então não sei o que é de facto uma calamidade”, enfatiza o autarca, que revelou ter enviado o primeiro pedido ao Governo para inclusão na lista de municípios nesta situação no início de fevereiro, o que coincidiu com a demissão da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.