A Autarquia, perante o achado, interrompeu os trabalhos, neste ponto da obra, para que possam ser realizadas as escavações arqueológicas e a posterior exumação e estudo antropológico das ossadas.

O presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha, afirmou que “estas situações são normais quando se intervém em zonas com um passado tão antigo. Alvalade é uma localidade que tem muita história e um património arqueológico rico, e é precisamente por essa razão que a Câmara Municipal está a criar um museu de arqueologia naquela Freguesia.”

O autarca avança que, “por agora, vamos aguardar pelos resultados dos trabalhos de arqueologia e análise para sabermos do que se trata efetivamente, mas suspeitamos que será um cemitério, tendo em conta o número de ossadas que foram descobertas, havendo ainda a particularidade de estarem enterradas a pouca profundidade.”

Álvaro Beijinha sublinha que tendo em conta os vestígios encontrados “vamos reforçar a nossa equipa de arqueólogos para que as obras, no Largo 25 de Abril, possam decorrer, mas não queremos que se perca a oportunidade de estudar o que foi descoberto, porque os achados fazem parte da história da Freguesia e do Concelho.” Dependendo dos resultados de uma primeira análise, “vamos apurar se esta descoberta merece um estudo mais aprofundado e inclusivamente ser exposta.”

A Autarquia promove o acompanhamento científico das descobertas através de uma equipa de investigadores, que foi reforçada com mais dois arqueólogos e um antropólogo, que será o responsável por escavar e estudar os esqueletos humanos.

O acompanhamento arqueológico das obras, está a cargo da arqueóloga Lídia Vírseda, da empresa ArqueoHoje.

As descobertas têm surgido à medida que as máquinas revolvem e aprofundam o solo. A primeira descoberta deu-se na Rua 31 de Maio, onde surgiu uma arcada de pequenos tijolos com argamassa.

Esta arcada fez parte de uma galeria antiga para escoar as águas da chuva. “Não sabemos em que século esta galeria funcionou, provavelmente, durante o século XIX”, explicou a arqueóloga Lídia Vírseda.

Na Praça D. Manuel I, ao remover-se o asfalto moderno, encontrou-se e foi escavado o primeiro chão da Praça, feito de seixos e argamassa, tal como os antigos passeios e arruamentos em calçada, provavelmente, contemporâneos da Igreja da Misericórdia e do Pelourinho.


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