Estufas no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Segundo Fátima Teixeira, uma das dinamizadoras do movimento, o objetivo "primordial" da petição é “pedir o cancelamento completo da resolução do concelho de ministros de 24 de outubro de 2019, que autoriza a expansão de mais área coberta dos atuais 11% para cerca de 40% o que nos deixou perplexos porque ainda não tinham sido resolvidos os problemas socias e ambientais que já tinham sido levantados e que estão num relatório que o governo tem na sua posse”. 

Por outro lado, “esta resolução abre caminho à colocação de contentores nas propriedades agrícolas para receber mais trabalhadores rurais, na sua maioria estrangeiros que ficam confinados às quintas e que ficam disponíveis como mão de obra a qualquer hora, o que não é aceitável”.

“Nós cidadãos dos concelhos de Odemira e de Aljezur estamos muito preocupados com o futuro do Parque Natural do Sudoeste e Costa Vicentina que tem valores naturais e paisagísticos importantíssimos a preservar e por isso não podemos aceitar esta decisão do governo sem que antes exista uma solução para os problemas sociais e ambientais que são sentidos na região que não está preparada para mais pessoas”.

“Não há condições para receber mais agricultura intensiva nesta região, não há recursos naturais que suportem este aumento, é tudo uma questão de escala, não há água, com as alterações climáticas cada vez chove menos no sul do país, tudo isto é muito preocupante”, lamenta Fátima Teixeira. 

O movimento pretende conseguir 4.000 assinaturas para que a actual situação do Parque Natural "seja avaliada e debatida na Assembleia da República e que sejam apresentadas soluções consistentes que respondam às preocupações da população e de outros sectores fundamentais da região do Sudoeste e não apenas de uma parte dos interessados, com vista a uma compatibilização entre os valores de um Parque Natural e a agricultura que lá se faz".

Apesar de ocupar apenas cerca de 11% da área total do Parque Natural, a área beneficiada do Perímetro de Rega do Mira (PRM), tem por origem de água a Barragem de Santa Clara no rio Mira, estende-se por 41 km e ocupa 15.000 hectares, sendo um dos locais com maior intensidade agrícola do país.

De acordo com os mesmos responsáveis, o "Juntos pelo Sudoeste" é um movimento "apartidário" de cidadãos de Odemira e Aljezur "seriamente preocupados com a situação actual do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, "face ao avanço galopante e descontrolado da indústria agrícola, nomeadamente as culturas cobertas por quilómetros de plástico, num modelo de práticas agrícolas em regime intensivo que vem pôr em causa a integridade do território".

Nos primeiros dias, a petição já conseguiu cerca de 1500 assinaturas, os responsáveis acreditam que em poucas semanas consigam as 4 mil que são necessárias para que seja debatida na Assembleia da República. 


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Já se devia ter feito, não se pode perder tempo. Isto que pretendem fazer é uma calamidade para a Costa Alentejana

Maria da Conceição Vaz

31/01/2020

Concordo com esta petição.

Bárbara de Jesus Revez Sabino

23/01/2020


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